Matéria com a consultora de imagem Andrea Azevedo publicada no Estado de Minas, domingo, 21/10/2007 sobre a consultoria de imagem masculina:
“Especialista em consultoria de imagem ensina homens a conciliar a carreira profissional com a moda e a evitar os erros mais freqüentes do guarda-roupa masculino
Lilian Monteiro
A advogada Andrea Azevedo abandonou o direito para se dedicar à consultoria de imagem
Não há como escapar: o mundo valoriza a imagem. Portanto, é sábio não se descuidar. E, se você vive no meio dos executivos, então, a aparência pode determinar o fechamento ou não de um negócio. Nada pior do que perder dinheiro por causa de um terno mal cortado, um cabelo desgrenhado e uma meia destoante com o resto do figurino. Se estiver perdido, atordoado sem saber como se vestir, a melhor saída é contratar uma profissional, que lhe indicará os caminhos da cena fashion. Estar na moda pode até não lhe garantir, de imediato, aquela promoção tão sonhada. Mas, seguramente, você não passará despercebido. E seguramente será mais fácil “vender” suas idéias e projetos.
A advogada Andrea Azevedo, depois de sete anos no mundo jurídico, abandonou o direito no ano passado para se dedicar, desde janeiro, à consultoria de imagem para executivos, profissionais liberais ou para quem acha que precisa dar um up no visual: “Em uma das empresas em que trabalhei tinha código de vestuário, o que chamou minha atenção. Esse mercado é adiantado em São Paulo, mas novo em Belo Horizonte. O mineiro é tímido, tradicional e devagar. Mas é bom ficar atento, porque há empresas que exigem vestuário adequado e austero. Hoje em dia, a roupa complementa a carreira, assim como falar outras línguas e a capacidade técnica. A imagem determina o visual e o comportamento”.
Andrea, que fez cursos de maquiagem e consultoria de imagem no Senac e é aluna da pós-graduação de designer de moda na Fumec, alerta para a necessidade de os homens terem a visão voltada para o desenvolvimento profissional com a moda sendo uma ferramenta nesse processo: “A maioria anda desleixado. Assim, quando me procuram, têm consciência de que precisam mudar. Essa é uma etapa vencida. A outra é que raramente posso contar com o marketing boca a boca, já que é tudo em off”. O lado legal é que, ao pedirem ajuda, os homens se mostram receptivos: “Eles são tranqüilos e recebem bem as críticas. Aceitam logo as sugestões e, por isso, o resultado é rápido”.
A consultoria de Andrea segue etapas. A primeira é uma entrevista. Ela precisa conhecer o cliente no mundo pessoal e profissional para traçar um novo estilo, coerente com a personalidade. Depois, ele passará por vários testes de cor de cabelo, pele e olhos, quando é usada uma palheta sazonal, que definirá a melhor cor para a pessoa ter no guarda-roupa. Em seguida, não há como fugir, a medição. Ou seja, é fundamental que ela tenha a geometria corporal para saber quais peças vão combinar com cada corpo. Só assim, poderá favorecer os pontos fortes e esconder os defeitos do cliente, como barriga, ombro largo desproporcional em relação às pernas e por aí vai.
De posse de todas essas informações, Andrea entregará ao cliente um relatório com o estilo definido, inclusive com sugestão de looks : “Depois, ele tem duas opções. Posso ver o seu guarda-roupa e falar o que continua no armário e o que sai. Ou levá-lo a lojas pré-determinadas para uma tarde de compras. Aliás, ele não é obrigado a comprar, mas quero que entenda na prática os conceitos que deve seguir no dia-a-dia”. A consultora revela que já ficou na porta de algumas empresas, como uma detetive, para ver como os funcionários se vestem para que suas orientações também se encaixem no perfil da organização.
Andrea lembra que, como o homem é muito prático e compra roupa uma vez ao ano, a consultoria depois se torna esporádica, em ocasiões especiais. A idéia é modernizar o uniforme corporativo. Às vezes, um acessório bacana faz a diferença. Mas, que fique claro, no máximo duas peças: um relógio e um anel discreto, por exemplo: “Nada de exageros, para não ficar over”.
Para ajudar os inseguros, Andrea lista os erros mais comuns que eles cometem no trabalho ou nas horas de lazer: “Combinação meia e sapato; terno desalinhado; corte de cabelo; gravata com brincadeirinhas; camisa de futebol; a insistência de só usar calça jeans, camiseta e tênis e um senhor apaixonado por boné (por favor, só use para caminhada, até para se proteger do sol). Enfim, é preciso coerência. É essencial que entendam que a consultoria não é só para as oito, 10 horas de trabalho. Ela acompanha o dia-a-dia, já que numa festa ou churrasco pode encontrar clientes, futuros parceiros ou receber propostas de novo emprego”.
Para os curiosos quanto à tendência, Andrea destaca: “O nó largo de gravata volta aos poucos, e quem já o adotou sinaliza ser uma pessoa muito chique. As abotoaduras também começam a aparecer, timidamente. Cuidado para não extrapolar e voltar aos anos 70. E os ternos estão mais ajustados, é o design italiano”.
UPGRADE O empresário do ramo de distribuição Cláudio Mello resistiu até o momento em que decidiu pedir socorro a Andrea. Ele confessa que, apesar de não se vestir mal, o jeito despojado em excesso passou a interferir em seu trabalho: “Só andava de jeans, camiseta e tênis. O que seria ideal para os meus 22 anos, e não mais para os 42. Percebi que, no contato com o cliente, deveria mudar para o visual que me trouxesse mais seriedade e credibilidade sem que ele encobrisse meu jeito alegre, descontraído. A roupa ideal é a que casa com a nossa personalidade”.
Há um mês sob a orientação da consultora de estilo, Cláudio está feliz com o upgrade: “A mudança é clara e o que me surpreendeu foi a transformação interior, uma nova auto-estima. A comunicação não-verbal inclui o visual e é coerente com que desejamos e falamos. É incrível como passamos a nos sentir adequados e seguros no ambiente no qual circulamos. Fora os elogios da minha namorada, Silvia, que aprovou o novo estilo e está três vezes mais apaixonada”.
Cláudio conta que seu guarda-roupa passou a ter itens antes vetados: “Não usava sapato de jeito nenhum e, agora, tenho mais de um modelo. Blazer, então, nem sequer pensava em comprar. Hoje, o visto com uma camisa legal e me sinto muito bem. Ainda tenho calça jeans, mais clássicas,e de sarja, no entanto, o estilo todo é mais clean. A camiseta de malha não foi posta de lado, é permitida, desde que a situação seja adequada. O importante é entender que a vida profissional e a social caminham juntas e todo contato é possível cliente. Por isso, temos de ser coerentes na maneira de vestir. Estamos nos comunicando o tempo todo e, ao saber de nossos objetivos, é fundamental que a roupa faça parte de nossas preocupações”.
DICAS
No ambiente empresarial
1- Não usar camisas de futebol no casual day
2 - Terno bem cortado é fundamental
3 - Abolir gravatas com personagens de desenhos animados
4 - Nunca usar meias brancas com sapatos sociais. A meia combina com o sapato
5 - Nunca usar camisas com punho e colarinho sujos ou puídos
6 - Evitar calças jeans despojadas
No dia-a-dia
1 - Adotar corte de cabelo bem -feito
2 - Barba aparada e pele tratada são diferenciais
3 - Não passar base nas unhas
4 - Esqueça a camiseta regata, estilo “machão”, nos horários de lazer
5 - Não utilizar carteira grande no bolso de trás da calça
6 - Evitar encher o bolso da camisa com óculos, chaves e canetas. Para os dois casos são recomendadas bolsas masculinas.”
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