A anorexia tem sido abordada por diversos países tanto da América do Sul como da Europa tendo em vista o aumento de incidência e os casos de morte ocorridos em virtude dessa doença.
No Brasil, em 2006, o caso da modelo Ana Carolina Reston Macan, de 21 anos, abalou não somente nosso país, mas causou impacto em outros lugares do mundo. Carolina morreu vítima de anorexia nervosa, depois que o seu quadro se agravou e evoluiu para uma infecção generalizada. Tinha cerca de 40 quilos e 1,74 m de altura.
Segundo a imprensa, Carolina sonhava em ser modelo desde criança. Após vencer um concurso realizado no interior, foi “descoberta” por uma olheira de agência e começou a trabalhar com 13 anos. Chegou a viajar para China, Turquia, México e Japão. Fez bons trabalhos no exterior, como o catálogo da Armani, mas o final de sua carreira foi trágico, falecendo em virtude de conseqüências trazidas pela anorexia.
Essa tragédia assustou o mundo, levantando debates sobre a relação do mundo da moda com a doença. Estaria a moda e a presença de modelos magérrimas influenciando negativamente as jovens de nossa sociedade, a ponto de evitarem a comida com o intuito de obterem um visual parecido com o da passarela?
Segundo o médico Dráuzio Varella, a “Anorexia nervosa é um distúrbio alimentar resultado da preocupação exagerada com o peso corporal, que pode provocar problemas psiquiátricos graves. A pessoa se olha no espelho e, embora extremamente magra, se vê obesa. Com medo de engordar, exagera na atividade física, jejua, jejua, vomita, toma laxantes e diuréticos. É um transtorno que se manifesta principalmente em mulheres jovens, embora sua incidência esteja aumentando também em homens. Às vezes, os pacientes anoréxicos chegam rapidamente à caquexia, um grau extremo da desnutrição e o índice de mortalidade chega a atingir 15% a 20% dos casos.” (www.drauziovarella.com.br)
De acordo com Dráuzio, as causas são diversas tais como: predisposição genética, a pressão da família e do grupo social, a existência de alterações neuroquímicas cerebrais e o conceito atual de moda que determina a magreza absoluta como símbolo de beleza e elegância
Essa constatação da moda como uma das causas da doença tem sido uma preocupação nos grandes pólos do mundo fashion.
Após o caso Ana Carolina, o debate sobre Anorexia & Moda foi reacendido e a primeira manifestação concreta foi da Espanha. Durante a semana de moda ocorrida entre os dias 18 a 22 de setembro de 2006, o governo espanhol decretou uma proibição de serem utilizadas para os desfiles modelos magérrimas e abaixo do IMC - índice de massa corporal baseado no peso e altura.
No evento, médicos de plantão estavam ali para examinar as manecas e autorizar ou não sua entrada na passarela. Tudo isso com a intenção de promover o conceito de beleza baseado em corpos saudáveis e não na imagem esquelética apresentada ultimamente nos desfiles e campanhas de moda.
Na mesma linha, a Itália aderiu à campanha contra anorexia. O Ministério para as Políticas Juvenis e os Esportes, a Câmara Nacional da Moda Italiana e a associação de moda Alta Roma promoveram e assinaram o “Manifesto Nacional de Auto-regulamentação da Moda Italiana Contra a Anorexia”, em 22/12/06.
Estilistas, agências de modelos e grandes marcas se opuseram à determinação sob a alegação de que a moda não é fator de causa da doença. Mas será? Concordo que a moda não é a causa única da doença, mas tem uma grande influência no seu desenvolvimento. O
mais recente ápice da discussão foi trazido pelo fotógrafo italiano Oliviero Toscani, responsável por campanhas polêmicas da Benetton. Oliviero apresentou uma modelo assustadoramente esquelética na publicidade da marca italiana Nolita, espalhada em outdoors e revistas por toda a cidade.
A última notícia sobre o tema é a intenção do governo italiano de se criar uma proposta de lei para o problema da moda que não colabora contra a anorexia. Um exemplo seria fiscalização dos tamanhos de roupas oferecidos nas lojas, sendo necessário que estas apresentem modelos para todos os tamanhos.
A anorexia não é novidade. Existe desde a Idade Média e já causou mortes na década de 80 como a da famosa cantora Karen Carpenter. Também se manifestou em diversas celebridades como Princesa Diana, Allegra Versace, Vitória Beckham.
A questão agora é que a sociedade despertou para a sua ameaça e tenta ‘correr atrás do prejuízo’, procurando reavaliar o padrão de beleza que influencia as jovens de todo o mundo e almejando inserir uma beleza saudável no mundo feminino.
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